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Farolim de Quarteira
Farolim de Quarteira

"O farolim de Quarteira entrou em funcionamento em 8 de Maio de 1927 na torre da igreja de N. S. da Conceição. Foi equipado com uma óptica de 6.ª ordem (300mm diâmetro) e candeeiro nº 1, consumindo petróleo. Tinha luz fixa, branca e o alcance luminoso era de 10 milhas em transparência média atmosférica. O aparelho óptico estava colocado num abrigo, para tal fim construído em cima da torre da igreja.

Em 1954, foi substituído o aparelho de 6.ª ordem por um de 8.ª ordem, reduzindo o alcance luminoso para 6 milhas.

O farolim mudou da torre da igreja para o depósito de água que abastece Quarteira em 1958. Ficou com 22 metros de altura e 43 de altitude.

Em 1959, a Direcção de Faróis comprou, no lugar dos Cavacos, uma parcela de terreno de 64m2, pela quantia de 2.000$00 (1), a Manuel Gonçalves Zorrinha, destinado à montagem da torre para o farolim. Depois de grande polémica entre a Câmara Municipal de Loulé, a Delegação Marítima de Quarteira e a Direcção de Faróis, o farolim acabaria por mudar de lugar em Dezembro de 1960. A Câmara Municipal entendia que se corria um enorme perigo ao abastecer de petróleo o candeeiro, pois algum petróleo derramado podia introduzir-se no depósito de água. Foram ouvidos inclusive alguns arrais de embarcações, tanto pela Delegação Marítima como pela Câmara Municipal, com a finalidade de se pronunciarem sobre qual o melhor local para o farolim. Na Câmara, pronunciaram-se a favor do regresso do farolim à torre da igreja. Na Delegação, mantê-lo no depósito de água, porque seria o ponto mais elevado da freguesia e, como tal, avistado a grande distância.

O farolim acabou por ser montado em Dezembro de 1960, numa estrutura em ferro, retirada do farolim posterior da barra do Guadiana em 1942, a cerca de 200 metros a SSW do depósito de água. Esta estrutura foi adquirida à casa Barbier, Bénard & Turenne, em 1923. É uma torre circular aberta em ferro fundido, assente em plataforma também em ferro, com 14 metros de altura e 45 degraus. Para lhe dar uma maior resistência, tem instalado 4 espias, ligadas da plataforma inferior ao varandim. Importou esta montagem em 701$00 (2). Em 1961, foi construída uma habitação para o faroleiro, cujo orçamento foi de 57.600$00 (3).

O farolim foi electrificado em 10 de Junho de 1962. Foi equipado com um aparelho de 5.ª ordem e uma lâmpada de 220V/250W, passando a ter um alcance luminoso de 11 milhas.

Em Maio de 1979, deixou de ter faroleiro residente, passando para a área da Balizagem Faro-Olhão. Foi contratado um auxiliar de luzes (João José Renda Martins). O último faroleiro a prestar serviço neste farol foi o faroleiro de 2.ª classe, Jaime dos Reis Maurício. Encontrando-se o farolim no meio da povoação, começou a tornar-se difícil o seu avistamento, não só pela interposição de prédios mas também por excesso de luminância ambiente durante a noite; por tudo isto, foi feita uma proposta para a sua extinção, até porque, entretanto, foi estabelecido um farol na torre da marina de Vilamoura.

Acabou por ser extinto e desmontado em 20 de Setembro de 1984.

Em Dezembro de 2003, Reinstalação do Farolim em Dezembro de 2003o farolim, recuperado na Direcção de Faróis, foi instalado, numa Praça de Quarteira (4), como motivo de interesse local."

 

 

 

Arquivo histórico da DF

Far. S/Ch. Barbosa 2004

(1) Cerca de 10€

(2) Cerca de 3,50€

(3) Cerca de 285,30€

(4) Num local alto de Quarteira, perto da Igreja de S. Pedro do Mar

Inauguração da reinstalação do Farolim no dia 13 de Maio de 2004, Dia da Cidade, por Jorge Matos Dias

A Marinha e a Câmara Municipal de Loulé assinaram, no dia 13 de Maio de 2004, um protocolo relativo à cedência do antigo farolim de Quarteira.

A cerimónia, integrada nas Comemorações do Dia da Cidade, foi realizada pelas 17.00 horas junto ao referido Farolim, perto da Igreja de S. Pedro do Mar.

Assinatura do Protocolo em 13 de Maio de 2004

O Farolim de Quarteira esteve instalado e em funcionamento durante cerca de 37 anos, entre 1961 e 1986, tendo sido retirado pela Direcção de Faróis, por ter deixado de ter qualquer utilidade para o serviço de assinalamento marítimo, como consequência da expansão urbanística da cidade e do inerente progresso tecnológico, razões que entretanto tinham contribuído para o reordenamento do assinalamento marítimo ao longo da nossa costa.

O facto de a estrutura metálica do farolim ser única no país, conduziu ao estabelecimento de contactos com a Câmara Municipal de Loulé e a Junta de Freguesia de Quarteira, tendo, desde o início, os respectivos titulares autárquicos manifestado o seu total acolhimento à sugestão de recuperar o farolim e voltar a montá-lo em local distinto da cidade, nomeadamente por considerarem que o farolim faz parte da história e do património cultural de Quarteira.

Neste sentido, o antigo Farolim de Quarteira foi totalmente recuperado nas oficinas da Direcção de Faróis e montado junto à Igreja de S. Pedro do Mar.

O Farolim de Quarteira tem uma altura de 12 metros, com a estrutura metálica de suporte da lanterna circundada até ao topo por uma escada metálica em caracol, encontrando-se toda a estrutura assente numa sapata quadrada com cerca de 7 metros de lado.

O Protocolo foi assinado pelo Director de Faróis, em representação da Marinha, e pelo Presidente da Câmara Municipal de Loulé.

Intervenção de José Mendes, presidente da Junta de Freguesia de Quarteira:

“Agradeço a instalação deste equipamento. Em 2002, apareceu na junta um ofício do Ministério da Marinha no sentido de se reinstalar este Farolim. Fazia todo o sentido que esta infraestrutura fosse reinstalada em Quarteira, não como farol mas como símbolo da cidade. Passámos o ofício à câmara de Loulé, que tem competência e dinheiro. Tratou-se da elaboração do protocolo e estamos muito agradecidos por isso ao Comandante Amaral Pereira, filho de Quarteira que ama esta terra” (ex-director de Faróis do Ministério da Marinha, do qual partiu esta iniciativa).

Intervenção de Seruca Emídio, presidente da Câmara Municipal de Loulé:

“Foi com satisfação que a câmara municipal acolheu a ideia, agarrou-a e abraçou-a porque o Farolim faz parte da memória de Quarteira. Tudo o que possa contribuir para devolver e defender a memória da cidade é importante. Agradeço ao Ministério da Marinha por devolver à cidade um dos seus símbolos ligados à sua actividade mais característica, a pesca e os pescadores”.

Intervenção do Comandante Carlos Brites, Director de Faróis:

“Foi com especial agrado que, em representação da Marinha Portuguesa e por designação do Almirante Chefe do Estado-Maior da Armada, acabo de assinar conjuntamente com o presidente da Câmara Municipal de Loulé, o protocolo de cedência do Farolim de Quarteira. Este Farolim, ora colocado em local diverso daquele onde em tempos constituiu um referencial de ajuda à navegação da maior importância para a comunidade piscatória local, insere-se no âmbito do espólio representativo do trajecto histórico-cultural de Quarteira. Não será, pois, displicente o facto desta cerimónia decorrer precisamente no Dia da cidade de Quarteira. A Marinha sempre tem acarinhado e colaborado em todas as acções que façam salientar a difícil vida de todos aqueles que fazem do mar o seu universo de trabalho nas mais diversas vertentes, não só pela compreensão mútua das dificuldades que diariamente têm que ser ultrapassadas, como também pelo respeito que todos lhe merecem, nomeadamente pelo esforço acrescido, pelo risco permanente e pelo sacrifício pessoal envolvido. Apesar de, actualmente, as ajudas electrónicas à navegação terem, aparentemente, relegado para segundo plano o assinalamento marítimo, só quem anda ou já andou no mar é que pode compreender o profundo significado no âmbito do imaginário, da segurança e do conforto moral sentido, ao vislumbrar ao longe a luz de um Farol, quer as condições meteorológicas se apresentem propícias, quer se esteja no meio de uma noite escura e tempestuosa. O Farolim de Quarteira desempenhou o seu importante papel e teve a sua reconhecida importância para toda a comunidade piscatória local durante cerca de 37 anos. O seu desmantelamento, em 1986, foi consequência lógica da expansão urbanística de Quarteira e do desenvolvimento tecnológico, parâmetros estes que, conjuntamente, contribuíram para o reordenamento do assinalamento marítimo ao longo da nossa costa e para a consequente perda de utilidade prática do farolim. Face ao grande empenho sempre demonstrado pelos máximos representantes autárquicos locais e à excelente colaboração mantida com a Marinha através da sua Direcção de Faróis, foi hoje possível formalizar a restituição a esta cidade, e no seu dia comemorativo, da estrutura metálica que foi o Farolim de Quarteira, modelo único no nosso país, o qual faz parte integrante da sua história, é pertença do seu património cultural e que as suas gentes consideram como um símbolo”.